Brinquedo

Na minha infância, na China, eu mesmo fazia meus brinquedos como muitos outros meninos também, e éramos criativos, construindo vários tipos de brinquedos com diversos materiais de fácil acesso, incluindo palhas, pedaços de madeira e metais. Com palhas, bambu, madeira e sucatas, eu fazia mini gaiola de grilos, espada, pistola, estilingue, arco e flecha, barco, avião, pião, lançador de água e foguete, entre outros.

A escola incentivava a fazer trabalhos manuais e pequenos experimentos físicos, naturalmente, pequenos brinquedos. Além de desenhar, pintar e de me aventurar nas brincadeiras junto com outros meninos, eu adorava construir brinquedos para as minhas brincadeiras.

Eu admirava aquela magia de transformar um material tão simples em um brinquedo extraordinariamente fascinante. Fascinante não é apenas o brinquedo em si, mas o processo de criá-lo e construí-lo.

A criança desenvolve, com certeza, a sua criatividade, a sua habilidade, a sua inteligência e também a sua boa personalidade, fazendo trabalhos manuais e, principalmente, construindo brinquedos.

Embora eu tenha feito alguns projetos e construído uma série de brinquedos como hobby, eu encaro o meu hobby com muita seriedade, porque vivencio e vejo essa atividade de criar e construir brinquedos como um trabalho enriquecedor até para a minha alma.

Como designer, eu procuro, na medida do possível da minha disponibilidade de tempo, desenvolver alguns brinquedos voltados ao mercado, com um diferencial, que é a soma da criatividade com a sustentabilidade.
O que é brinquedo?

Quando um objeto é o próprio elemento necessário para o jogo ou diversão e a ele é acrescido um determinado significado, ele passa a ser brinquedo.

A bola é um brinquedo. Um carro de verdade também pode ser. Mas, no âmbito do brinquedo de que estamos falando – brinquedo feito à mão – é necessário que exista uma delimitação no conceito, atribuindo ao brinquedo um significado moralmente positivo e construtivo.

Qualquer objeto é produto de uma determinada realidade social. A sua criação e a produção são determinadas e influenciadas também pela visão dessa realidade e pela inteligência e criatividade do seu criador. Na nossa sociedade atual predominam brinquedos industrializados e muitos deles tecnologicamente sofisticados. Portanto, as crianças urbanas de hoje ganham muita coisa e perdem também muita coisa.

Elas têm fartura de brinquedos para os quais muitas vezes não dão valor. Elas perderam uma oportunidade de aprender e brincar de um modo saudável, de desenvolver certas habilidades, criatividade e capacidade inventiva numa fase importante da sua vida.
Por que fazer brinquedos à mão?

Antigamente, as crianças faziam seus brinquedos ou, ao menos, acompanhavam alguém fazendo e sentiam-se muito satisfeitas, não pelo resultado em si, mas principalmente pelo fabrico de seus brinquedos.

Todo o processo, desde a extração da matéria-prima ou da preparação do material até o acabamento, era um processo de desafio, aprendizagem, experimentação, criação (até invenção), diversão, brincadeira. Hoje as crianças não fazem seus brinquedos, tampouco os adultos. Uma grande pena!

Hoje em dia é difícil encontrar brinquedos feitos à mão na cidade devido à fortíssima difusão de brinquedos industrializados, fabricados aos milhões, altamente favorecida pelo tipo de vida urbana e pelos modelos da indústria e do comércio.

Em conseqüência, até os brinquedos folclóricos e tradicionais sumiram. Somente alguns artesãos, artistas, designers, inventores e “fanáticos” ainda tentam resgatar a tradição de fazer brinquedos com as próprias mãos.

E, justamente nessa realidade da sociedade urbana, o retorno e o incentivo desse ofício tornam-se eminentemente oportunos mais do que nunca. A criança precisa disso. A educação infantil precisa disso.

Muitos adolescentes, jovens e adultos também precisam disso. Para as crianças o processo de construção de brinquedos, além de ser uma atividade cognitiva lúdica muito importante, é também um trabalho estimulador que contribui para a construção da personalidade positiva.

Para os adultos, essa atividade é ainda mais importante justamente porque precisamos resgatar essa tradição, perpetuá-la, desenvolvê-la e transformá-la como uma forma especial de criação técnico-artística para as pessoas de todas as idades.

Criar brinquedos e fazê-los à mão significa unir perfeitamente o raciocínio lógico com o raciocínio imaginário. O Brinquedo feito à mão é diferente de todos outros objetos, porque possui diversas funções e todas elas significativas.

Ele é útil para diversão, para jogo, para passatempo, para desafio, para educação, para imaginação, para conscientização...; Ele é encantador, atraente, bonito, misterioso, mágico, fantástico, artístico...; Ele tem movimentos, tem sons, tem formas, tem cores...; Ele é brinquedo, é objeto decorativo, é recordação. E há um outro valor, o ecológico, o da sustentabilidade.

Fazer brinquedos com as próprias mãos pode trazer, tanto para a criança como para qualquer pessoa, independentemente da idade, grandes benefícios no sentido de formação e de crescimento em habilidade, criatividade, inventividade e intelectualidade.

Ajuda a criar melhor sociabilidade do indivíduo, tornando-o mais animado e estimulado para também outras tarefas do dia-a-dia. Então, criar brinquedos e fazê-los à mão é realmente importante e muito divertido!

Brinquedos com movimentos

Além dos brinquedos considerados educativos, há brinquedos exclusivamente destinados à diversão, recreação e jogo, e estes, quando moralmente positivos, também são educativos.

De todos os brinquedos, os mais estimulantes são aqueles que podem ser acionados para ganhar movimentos. Por mais simples que seja o brinquedo, o seu movimento pode ser gerado por um mecanismo muito simples.

Diversos movimentos mecânicos podem fazer brinquedos parecerem ganhar vida. Podemos fazer um brinquedo andar, correr, rolar, girar, pular, subir, descer, rodopiar, voar e assim por diante, acionando com a mão ou com o ar, a água, a gravidade, o ímã, a eletricidade e até a força gerada por determinada propriedade do material utilizado.

A diversificação de brinquedos é infinita, ainda que possam ser classificados em categorias e tipos já conhecidos. Há brinquedos para você empurrar, puxar, atirar, bater, apertar, torcer, girar, montar ou pisar em cima.

Há também um grupo de brinquedos que são acionados por meio da manivela. Todos os tipos de movimentos podem ser criados usando a combinação de algumas “máquinas” simples, às vezes, com acréscimo de peças auxiliares, como uma mola, por exemplo.

Além do mecanismo simples, muito interessante e curioso para quem o faz, outros elementos que fazem parte do brinquedo são formas, figuras e cores, também altamente estimulantes para a nossa criatividade, imaginação e fantasia.

Fazer manual ou artesanalmente brinquedos em si é um processo lúdico, muito divertido e educativo.
Brinquedos para jogos

Do grupo de brinquedos destinados ao jogo, aqueles que estimulam a competição com uso da habilidade manual e da coordenação motora são muito motivadores para a sociabilidade entre os jogadores em eventos e também para o passatempo individual.

Por exemplo, o brinquedo que permite disparar uma bolinha para acertar um alvo pode ser muito interessante tanto para uma só pessoa como para um grupo de amigos. De certa forma, a diversão em jogos provém do prazer do desafio.

Baseando-se nos mesmos princípios de uma diversidade de brinquedos de jogo, novos modelos podem ser ainda criados e recriados. Assim, baseando-nos nas fundamentais leis físicas e na criatividade artística, podemos produzir infinitos brinquedos únicos, feitos à mão. As possibilidades esperam ser exploradas, da mesma forma em brinquedos mecânicos.
Educar-se e divertir-se fazendo brinquedos

Como já foi dito anteriormente, fazer brinquedo manualmente pode desenvolver na pessoa a habilidade manual, a criatividade, a inventividade, a sociabilidade, aprender a criar e produzir brinquedo em si é uma diversão e uma terapia e, sem dúvida, um importante processo educativo.

O processo todo – da criação à produção – exige que a pessoa pense, crie, desenhe, experimente, execute, aliando o raciocínio lógico com a criatividade artística e a intuição com o conhecimento. A grande vantagem desse processo educativo está justamente no conceito de “aprender com prazer”.

Principalmente quando a pessoa sente que está adquirindo algo que é especial, descobrindo algo que é novo e concretizando uma idéia em forma de objeto que alegre as pessoas.

Nesse processo educativo prazeroso a pessoa aprende habilidades técnicas e assimila conhecimentos específicos. No aspecto técnico, o aluno adquire técnicas de pintura e modelagem, usando diversos materiais, tais como papel, papelão, tecido, plástico, metal e principalmente madeira.

No aspecto cognitivo, o aluno assimila, de modo experimental, conhecimentos dos princípios físicos do mecanismo, conhecendo as funções e efeitos das “máquinas simples” usadas em brinquedos e máquinas de modo geral.

No aspecto criativo, o aluno desenvolve a criação de figuras, aplicação de cores, uso de formas humorísticas, associação e síntese de idéias em brinquedos que estimulem percepções, sensações e sentimentos positivos.
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